Pais e mães à deriva... conflitos, tensões e disfunções na educação das crianças
Por Equipe Global Mentoring Group· atualizado em
Introdução
A educação parental é um tema fundamental no desenvolvimento saudável e equilibrado das crianças, influenciando diretamente sua formação cognitiva, emocional e social. No entanto, é cada vez mais evidente a presença de desafios que impactam na capacidade dos pais exercerem suas funções na orientação, nos cuidados e no suporte na educação dos filhos.
Diante desse contexto, o que acontece quando os pais se encontram à deriva? Como ficam os afetos? Como ficam as crianças?
A sociedade contemporânea, com seu ritmo acelerado, individualismo exacerbado e consumismo desenfreado, impõe desafios singulares à tarefa de educar. Pais, muitas vezes desorientados e sem suporte, lutam para conciliar as demandas profissionais e pessoais com a responsabilidade de cuidar, criar e educar seus filhos. Assim se configura a jornada da parentalidade, uma viagem por mares desconhecidos, repletos de desafios, conflitos e momentos de incertezas. É nesse contexto que emergem e se constituem os conflitos, as tensões e as disfunções, desafiando até mesmo os navegadores mais experientes.
As crianças, por sua vez, sofrem com os efeitos de uma educação parental que ignora suas necessidades emocionais, comportamentais e sociais. A carência afetiva, cada vez mais presente em nosso contexto social e, com mais ênfase, nas famílias, implica numa progressão de problemas significativos para o desenvolvimento integral das crianças, gerando repercussões na vida adulta, deixando os pais à deriva e a própria sorte.
Sabemos, de antemão, que a temática que ora trazemos é complexa e demanda uma exploração teórica ampliada, todavia, dada à estrutura do artigo, não temos a pretensão de esgotar o assunto. Sendo assim, abordaremos os impactos da falta de orientação parental, a sobrecarga e o peso das responsabilidades crescentes que recaem sobre eles, gerando conflitos, tensões e disfunções no ambiente familiar.
Pais à deriva… Um mar de incertezas!
Em um mar turbulento de individualismo, consumismo e ritmo acelerado, os pais navegam sem um farol, buscando incessantemente por bússolas que os guiem na tarefa de educar seus filhos, conciliando as demandas dos tempos atuais, os valores da sociedade contemporânea (com suas contradições e desafios) e os obstáculos singulares que advém desse cenário caótico.
O tempo, ou melhor, a ausência de um tempo para si, coloca os pais e responsáveis longe de um porto seguro, minando a construção de pontes e a possibilidade de interagir com uma comunidade de apoio para buscar e refletir sobre os conhecimentos, experiências e aprendizado essenciais para uma trajetória parental mais assertiva e segura. Esta ausência de si e do outro, cria uma pressão que os acompanha em toda a jornada parental e, muitas vezes, a sensação de estarem à deriva surge pelo simples fato de não poderem parar e refletir, bem como de não saberem para onde ir, seguindo uma rota incerta.
Nesse vácuo existencial, os pais ocupam um lugar precário na criação de seus filhos, um simples lugar, um frágil lugar, um NÃO-LUGAR. Quando olhamos de forma ampliada para os muitos pais e mães que se encontram nessa situação, podemos constatar que não se trata de uma condição particular, mas de uma constatação de uma condição que afeta todo tecido social. Uma luta inglória que dificulta a orientação clara e consistente para seus filhos e, o que pode ser pior, uma reprodução inconsciente dos mesmos padrões e valores de uma sociedade que negligencia os afetos e a construção de vínculos afetivos, o desenvolvimento de valores e o aprendizado de habilidades socioemocionais e comportamentais das crianças.
Exploração das causas da falta de orientação parental
Por outro lado, a ausência de orientação parental representa um desafio significativo na formação das crianças nos dias de hoje. Pesquisas recentes apontam que, em muitos lares, os pais enfrentam dificuldades para conciliar as demandas profissionais e familiares, resultando em menos tempo disponível para interações significativas com os filhos.
Este ritmo acelerado da vida contemporânea, com jornadas de trabalho extensas e múltiplas responsabilidades, deixa pouco tempo para os pais se dedicarem também à educação e à orientação dos seus filhos. Essa falta de tempo, somada à carência de conhecimentos específicos sobre educação infantil, cria um terreno fértil para a busca por soluções mágicas, rápidas e a delegação da responsabilidade da educação para a escola. Este imediatismo leva muitos pais a tomarem decisões precipitadas e sem os devidos critérios, como por exemplo, escolha de escolas com métodos de ensino “milagrosos” ou livros, ebooks e cursos que prometem “o fim das birras em 10 passos”. Uma busca, muitas vezes em vão, pois as coisas não são resolvidas com fórmulas mágicas, ao contrário, levam tempo e exigem dedicação e propósito. Não existe um “passo a passo” universal que funcione para todos os casos. Cada criança é um universo em si mesma. Por isso, muitos pais se sentem frustrados e com sentimento de culpa por não serem capazes de educar seus filhos de uma forma adequada, mesmo seguindo um manual de recomendações de quem, muitas vezes, não têm competência para fazê-lo.
Ressignificar o papel dos pais na educação dos filhos é fundamental para navegar em direção a um futuro mais promissor. Pais e mães são conscientes da importância de sua participação ativa na vida das crianças, desde a infância até a fase adulta. Mas isso significa dedicar um tempo de qualidade para conversar, brincar, aprender e construir um relacionamento sólido, baseado na confiança, na escuta atenta. Mais que isso! Um tempo para o aprendizado, para o (re)conhecimento do que habita no universo infantil, como esta criança é, como ela se desenvolve, quais os desafios? É preciso ter em mente que mãe e pai nunca foram PAIS antes de sê-los e que buscar conhecimento e apoio é fundamental!
Entendendo os desafios dos pais: conflitos, tensões e disfunções: crianças sem afeto
O afeto parental é a força que molda o futuro, a base para a felicidade e saúde das crianças, moldando seu desenvolvimento emocional, social, cognitivo e físico. Neste exato momento em que você está lendo este texto, milhares de mães e pais de diferentes origens e realidades estão buscando respostas para uma questão crucial: como oferecer afeto aos seus filhos em meio a tantas demandas e mudanças de toda ordem no mundo atual?
Não é por menos. Sem tempo, sem conhecimento e muitas vezes consumidos pela rotina, como garantir que o afeto seja a base da construção de um lar harmonioso, encorajador e potente? Negligenciar esta questão seria como negar as consequências da desnutrição para o corpo. O afeto é o alimento que nutre a alma da criança, moldando sua personalidade, autoestima e capacidade de se relacionar com o mundo, é a força mais poderosa que existe. Sua ausência tem a mesma força, porém oposta!
Vamos entender o que são e como se manifestam os conflitos, as tensões e as disfunções:
COMPORTAMENTOS - FONTES
CONSEQUÊNCIAS
Conflitos familiares
- diferenças de opinião entre os pais sobre questões disciplinares
- divergências em relação aos valores transmitidos aos filhos
- disputas sobre a divisão de responsabilidades parentais
- falta de coesão familiar
- desentendimentos com outros membros da família, como avós ou irmãos
- desafios na vida profissional
- etc.
Geram tensões emocionais e impactar o bem-estar de todos os envolvidos, incluindo as crianças. É essencial abordar essas questões com comunicação aberta, empatia e respeito mútuo, buscando soluções que levem em consideração o melhor interesse da criança e promovam a harmonia familiar
As tensões emocionais
- estresse do dia a dia, preocupações com o futuro das crianças, pressões sociais para alcançar padrões de sucesso e expectativas excessivas dos pais ou da sociedade
- problemas de saúde na família
- mudanças de casa, escola, perda de um ente querido
- chegada de um irmão ou irmã
- questões sociais como: discriminação, bullying, exclusão ou intolerância
- problemas financeiros
- etc.
Afetam o ambiente familiar, causando ansiedade, frustração e até conflitos interpessoais. É importante que os pais reconheçam e abordem essas tensões de forma saudável, buscando estratégias de autocuidado, apoio emocional e comunicação aberta dentro da família.
As disfunções
- dinâmica familiar complexa: falta de limites claros, modelos parentais inadequados ou ausência emocional dentro do lar
- transtorno de saúde mental dos pais (depressão, ansiedade, transtorno bipolar entre outros)
- condições de moradia inadequada
- negligência parental (emocional e física)
- problemas legais ou judiciais
- violência doméstica
- etc.
Geram comportamento agressivo, rebeldia, isolamento social, dificuldades de aprendizagem não diagnosticadas, conflitos parentais prejudiciais, abuso de substâncias na família, entre outros
A Importância da Afetividade Parental: Um Farol de Esperança
Em meio às turbulentas águas da parentalidade, onde conflitos, tensões emocionais e disfunções podem parecer dominantes, existe um farol de esperança para iluminar a jornada dos pais: a afetividade.
A afetividade, expressa através do amor incondicional, do apoio emocional e do vínculo afetivo entre pais e filhos, desempenha um papel fundamental na formação, no desenvolvimento saudável e feliz das crianças. Em meio a tantos desafios da parentalidade, essa atmosfera de afeto cria conexões, vínculos e cumplicidade dentro da família. As crianças são impactadas na sua formação desenvolvendo segurança e senso de pertencimento. Imagine um mar de águas tempestuosas… o amor e o carinho dos pais são como um ancoradouro seguro, proporcionando estabilidade e proteção às crianças para que elas sigam nas suas próprias jornadas.
Para os pais que se encontram à deriva, lutando contra as ondas da incerteza e da adversidade, saibam que vocês não estão sozinhos. Cada desafio enfrentado, cada conflito superado e cada momento de conexão fortalece os laços familiares e molda o caráter das crianças. Além disso, é importante lembrar que os educadores parentais estão aqui para ajudá-los com seus conhecimentos, orientações e apoio nesta caminhada, oferecendo insights valiosos e estratégias eficazes para que você possa enfrentar os desafios da parentalidade com confiança e resiliência. Lembrem-se: nunca ninguém foi pai e mãe antes de sê-los!
Que esta jornada pela parentalidade seja marcada não apenas pelos obstáculos encontrados, mas também pelas pequenas vitórias, pelos sorrisos compartilhados e pelo amor que transcende todas as dificuldades. Que possamos continuar navegando juntos, guiados pela luz da afetividade e pela esperança de um futuro brilhante para nossos filhos.
Lembrem-se: mesmo nas noites mais escuras, o amor dos pais é a luz que guia o caminho das crianças. Que possamos continuar navegando com coragem, determinação e, acima de tudo, com muito amor no coração.
Bibliografia
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2ª ed. Ed.Cortez, 2000
DREIKURS, R; SOLTZ, V. Como educar nossos filhos nos dias de hoje. Ed. Record, 1964